domingo, 2 de novembro de 2014

Evangelho Segundo o Espiritismo


O CRISTO CONSOLADOR


Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus!

Bem-aventurados os que choram pois serão consolados!

Bem-aventurados os humildes, pois receberão a Terra por herança!

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça pois serão consolados!

Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia!

Bem-aventurados os puros de coração pois verão a Deus!

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o reino dos Céus!

Bem-aventurados sois vós, quando por minha causa os insultem, e perseguirem, e levantem 
todo o tipo de calúnias contra vós. Alegrem-se e regozijem-se porque grande é a vossa recompensa
nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que vieram antes de vós!



Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração,
e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
(Mateus, 21-28-30)


Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos 
o remédio que vos deve curar. Os débeis os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos e venho salvá-los.
Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados
e sereis aliviados e consolados. Não procureis algures a força e a 
consolação porque o mundo é impotente para dar-vo-las
Deus dirige aos vossos corações um apelo: -- escutai-o.
Que a impiedade a mentira, o erro e a incredulidade
sejam extirpados de vossas almas doloridas,
São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso
sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais.
Que no futuro humildes e submissos ao 
Criador, pratiqueis sua divina Lei. Amai e orai.
Sede dóceis aos espíritos do senhor.
Invocai-O do fundo do coração.
Então ele vos enviará o seu filho bem-amado 
para vos instruir e vos dizer estas boas palavras:
«Eis-me aqui, venho a vós porque me chamastes!»

Evangelho Segundo o Espiritismo 




AMAI AOS VOSSOS INIMIGOS

PAGAR O MAL COM O BEM

    Tendes ouvido o que foi dito: Amarás ao teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos do vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se não amardes senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter?  Não fazem os publicanos também assim? E se saudardes somente os vossos irmãos que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios?----Eu vos digo se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.  (  Mateus,  V:  20,  43-47).


  E se vós amais somente aos que vos amam, que merecimento é que vós tereis? Pois os pecadores também amam os que os amam. E se só fizerdes o bem aos que vos fazem bem, que merecimento é que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores. E se emprestardes somente àqueles de quem esperais receber, que merecimento é que vós tereis? Porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, fazei bem, e emprestai sem nada esperar, e tereis muita avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus.
 Sede pois misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.  
  ( Lucas, VI:  32-36).


  Se o amor do próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude constitui uma das maiores vitórias conquistadas sobre  o egoísmo e o orgulho.
  Não obstante, nos equivocamos quanto ao sentido da palavra amor, aplicada a esta circunstância.
  Jesus não pretendia, ao dizer essas palavras, que se deve ter por um inimigo a mesma  que se tem por um irmão ou por um amigo. A ternura pressupõe confiança. Ora não se pode ter confiança naquele que se sabe que nos quer mal.   No se pode ter com ele as efusões de amizade, desde que se sabe que pode abusar delas. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não podem haver os impulsos de simpatia, existentes entre aqueles que comungam dos mesmos pensamentos. Não se pode, enfim, ter a mesma satisfação ao encontrar um inimigo, que se tem como um amigo.
  Esse sentimento por outro lado, resulta de uma lei física: a de assimilação e repulsão dos fluidos.
  O pensamento malévolo emite uma corrente fluidica que causa penosa impressão; o pensamento benévolo envolve-nos no eflúvio agradável. Daí a diferença de sensações que se experimenta, à aproximação de um inimigo, ou de um amigo. Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deve fazer nenhuma diferença entre eles e os amigos. Este preceito parece difícil e até mesmo impossível de se praticar, porque falsamente supomos que ele prescreve darmos a uns e a outros, o mesmo lugar no coração. Se a pobreza das línguas humanas nos obriga a usarmos a mesma palavra, para exprimir formas diversas de sentimentos, a razão deve fazer as diferenças necessárias, segundo os casos. 
  Amar aos inimigos, não é pois, ter por eles uma afeição que não é natural, uma vez que o contacto de um inimigo faz bater o coração de maneira inteiramente diversa que o de um amigo. Mas é não lhes ter ódio, nem rancor, ou desejos de vingança. É perdoá-los sem segunda intenção e incondicionalmente, pelo mal que nos fizeram. É não opor nenhum obstáculo à reconciliação. É desejar-lhe o bem  em vez do mal. É alegrar-nos em vez de aborrecer-nos com o bem que os atinge, 
  É estender-lhe a mão prestativa em caso de necessidade. É abstermo-nos por actos e palavras. de tudo o que possa prejudicá-los. É, enfim pagar-lhes em tudo o mal com o bem, sem a intenção de humilhá-los. Todo aquele que assim fizer, cumpre as condições do mandamento; Amai os vossos inimigos.



  Amar aos inimigos é um absurdo para os incrédulos. Aquele para quem a vida presente é tudo, só vê no seu inimigo uma criatura perniciosa, a perturbar-lhe o sossego, e do qual somente a morte pode libertar. Daí o desejo de vingança. Não há nenhum interesse em perdoar, a menos que seja para satisfazer o seu orgulho aos olhos do mundo. Perdoar, até mesmo lhe parece, em certos casos, uma fraqueza indigna da sua personalidade. Se não se vinga, pois, nem por isso deixa de guardar rancor e um secreto desejo de fazer mal. Para o crente, e mais ainda para o espírita, a maneira de ver é inteiramente diversa, porque ele dirige o seu olhar para o passado e o futuro, entre os quais a vida presente é um momento apenas. Sabe que, pela própria destinação na Terra, nela devem encontrar homens maus e perversos; que as maldades a que está exposto, fazem parte das provas que deve sofrer. O ponto de vista em que se coloca, torna-lhe as vicissitudes menos amargas, que venham dos homens ou das coisas. Se não se queixa das provas, não deve também queixar-se dos que lhe servem de instrumentos.  Se, em lugar de se lamentar, agradece a Deus por experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe oferece a ocasião de mostrar a sua paciência e a sua resignação. Esse pensamento o dispõe naturalmente ao perdão. Ele sente, aliás, que quanto mais generoso for, mais se engrandece aos próprios olhos, e mais longe se encontra do alcance dos dardos do seu inimigo.
   O homem que ocupa no mundo uma posição elevada não se considera ofendido pelos insultos daquele que olha como seu inferior. Assim acontece com aquele que se eleva, no mundo moral, acima da humanidade material. compreende que o ódio e o rancor o envileceriam e rebaixariam, pois para ser superior ao seu adversário, deve ter a alma mais nobre, maior, e mais generosa.




OS INIMIGOS DESENCARNADOS
(sem o corpo de carne)

 O espírita tem ainda outros motivos de indulgência para com os inimigos.
 Porque sabe, antes de mais nada, que a maldade não é o estado permanente do homem, mas que decorre de uma imperfeição momentânea, e que da mesma maneira que a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau, reconhecerá um dia os seus defeitos e se tornará bom.
  Sabe ainda que a morte só pode livrá-lo da presença material do seu inimigo, e que este pode persegui-lo com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra. Assim, a vingança assassina não atinge o seu objectivo, mas, pelo contrário, tem por efeito produzir maior irritação, que pode prosseguir de uma existência para outra. Cabia ao Espiritismo provar, pela experiência e pela lei que rege as relações do mundo visível com o mundo invisível, que a expressão; extinguir o ódio com o sangue, é radicalmente falsa, pois a verdade é que o sangue conserva o ódio do além-túmulo. Ele dá por conseguinte, uma razão de ser efectiva e uma utilidade prática ao perdão, bem como a máxima de Cristo:
 Amai aos vossos inimigos. Não há coração tão perverso que não se deixe tocar pelas boas acções, mesmo a contragosto. O bom procedimento, não dá, pelo menos, nenhum pretexto a represálias, e com ele se pode fazer de um inimigo, um amigo antes e depois da morte. Com o mau procedimento, ele irrita-se, e é então que serve de instrumento à justiça de Deus, para punir aquele que não soube perdoar.

Pode-se pois ter inimigos entre os encarnados, (os que estão aqui no plano terreno em corpo físico)  e os desencarnados ( os que se encontram noutra dimensão depois da chamada morte, sem o corpo de carne). Os inimigos do mundo invisível manifestam a sua malevolência pelas obsessões e subjugações, a que tantas pessoas estão expostas, e que representam uma variedade de provas da vida. Essas provas, como as demais, contribuem para o desenvolvimento e devem ser aceites com resignação, como uma consequência da natureza inferior do globo terrestre: se não existissem homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao redor da Terra. Se devemos, portanto, ter indulgência e benevolência  para com os inimigos encarnados, igualmente as devemos ter para os que estão desencarnados.
  Antigamente, ofereciam-se sacrifícios sangrentos para apaziguar os deuses infernais, que nada mais eram do que os Espíritos maus. Aos deuses infernais, sucederam os demónios, que são a mesma coisa. O Espiritismo vem provar que esses demónios não são mais que as almas dos homens perversos, que ainda não se despojaram dos seus instintos materiais; que não se pode apaziguá-los, se não pelo sacrifício dos maus sentimentos que lhe dirigimos,  ou seja pela caridade; e que a caridade não tem apenas o  o efeito de impedi-los de fazer o mal, mas também  de induzi-los ao caminho do bem e contribuir para a sua salvação.  É assim que a máxima: amai aos vossos inimigos, não fica circunscrita ao círculo estreito da Terra, e da vida presente, mas integra-se na grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.


SE ALGUÉM TE FERIR NA FACE DIREITA

   Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho, dente por dente. Eu porém digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quer demandar-te em juízo e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregado mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pede, e não voltes as costas, ao que deseja que lhe emprestes.  ( Mateus, V:  38-42)

 Os preconceitos do mundo a respeito daquilo a que se chamar ponto de honra dão esta susceptilidade sombria, nascida do orgulho e do exagerado personalismo, que leva o homem geralmente a retribuir injúria por injúria, golpe por golpe, o que parece muito justo para aqueles cujo senso moral, não se eleva acima das paixões terrenas. Eis porque dizia a lei mosaica: olho por olho, e dente por dente, mantendo-se em harmonia  com o  tempo em que Moisés vivia. Mas veio o Cristo e disse: « Não resistais ao que vos fizer mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra». Para o orgulhoso esta máxima parece um cobardia, porque ele não entende que há mais coragem em suportar um insulto do que em se vingar. E isto, sempre por aquele motivo que não lhe permite enxergar além do presente. deve-se, entretanto, tomar esta máxima ao pé da letra? Não, da mesma maneira que  aquela que manda arrancar o olho se ele for causa de escândalo. Levada às últimas consequências, ela condenaria toda a repressão, mesmo legal, e deixaria o campo livre aos maus, que nada teriam a temer; não se pondo freio às suas agressões, logo todos os bons seriam suas vítimas. O próprio instinto de conservação, que é a lei da natureza, nos diz que não deveremos entregar de boa-vontade o pescoço ao assassino. Por essas palavras, Jesus não proibiu a defesa, mas condenou a vingança. Dizendo-nos para oferecer uma face quando formos batidos na outra, disse, por outras palavras que não devemos retribuir o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a reduzir-lhe o orgulho; que é mais glorioso para ele ser ferido do que ferir, suportar pacientemente uma injustiça, do que cometê-la; que mais vale ser enganado do que enganar, ser arruinado do que arruinar os outros. A fé na vida futura, e na justiça de Deus, que jamais deixa o mal impune, é a única que nos pode dar a força  de suportar pacientemente os atentados  aos nossos interesses  e ao nosso amor -próprio. Eis porque vos dizemos incessantemente:
voltai os vossos olhos para o futuro; quanto mais vos elevardes pelo pensamento, acima da vida material, menos sereis feridos pelas coisas da Terra.


A VINGANÇA

  A vingança, é um dos últimos resíduos dos costumes bárbaros, que tendem a desaparecer dentre os homens. Ela é um dos derradeiros vestígios daqueles costumes selvagens em que se debatia a humanidade no começo da era cristã. 
Por isso a vingança, é um indíce seguro do atraso dos homens que a ela se entregam, e dos Espíritos que ainda podem inspirá-la. Portanto meus amigos, esse sentimento  jamais deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e se afirme cristão. Vingar-se é ainda, vós o sabeis, de tal maneira contrário a este preceito do Cristo: «Perdoai aos vossos inimigos», que aquele que se recusa a perdoar não somente não é espírita mas também não é cristão.
  A vingança é um sentimento tanto mais funesto quanto a falsidade e a vileza, são suas companheiras assíduas. Com efeito, aquele que se entrega a essa paixão cega e fatal quase nunca se vinga às claras. Quando é o mais forte, precipita-se como uma fera sobre o que considera seu inimigo, pois basta vê-lo para que se inflamem a sua paixão, a sua cólera  e o seu ódio. No mais das vezes, porém, assume uma atitude hipócrita, dissimulando no mais profundo do seu coração os maus sentimentos que o animam. Toma então caminhos escusos, seguindo o inimigo na sombra, sem que este desconfie, e aguarda o momento propício para feri-lo sem  perigo. Ocultando-se, vigia-o sem cessar, prepara-lhe
ciladas odiosas, e, quando surge a ocasião derrama-lhe o veneno na taça.
  Se o seu ódio não chega a esses extremos, ataca-o na sua honra e nas suas afeições. Não recua diante da calúnia, e suas pérfidas insinuações,  espalhadas em todas as direcções, vão crescendo pelo caminho. Dessa maneira, quando o perseguido aparece nos meios atingidos pelo seu sopro envenenado, admira-se de encontrar semblantes frios onde outrora havia rostos amigos e bondosos; fica estupefacto, quando as mãos que procuravam a sua, agora se recusam a apertá-la; enfim, sente-se aniquilado, quando os amigos mais caros, e os parentes o evitam e se esquivam dele. Há! o cobarde que se vinga dessa forma, é cem vezes mais criminoso do que aquele que vai directo ao inimigo, e insulta face a face!
Para traz, portanto com esses costumes selvagens! Para trás, com esses hábitos de outros tempos. Todo o cristão que pretendesse ter, ainda hoje, o direito de vingar-se seria indigno de figurar por mais tempo, na falange que tomou por divisa o lema: fora da caridade não há salvação. 


 O  ÓDIO

  Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tratai sobretudo de amar aos que vos provocam indiferença, ódio e desprezo. O Cristo que deveis tornar o vosso modelo, deu-vos o exemplo dessa abnegação: Missionário do amor, amou até dar o sangue e a própria vida. O sacrifício de amar os que vos ultrajam e perseguem é penoso mas é isso, precisamente o que vos torna superiores a eles. Se vós os odiásseis como eles vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. É essa a hóstia sagrada que ofereceis a Deus, no altar de vossos corações, hóstia de agradável fragrância, cujos perfumes sobem até Ele.
  Mas embora a lei do amor nos mande amar indistintamente a todos os nossos irmãos, não endurece o coração para os maus procedimentos. É essa pelo contrário a prova mais penosa.
 Mas Deus existe, e pune nesta e na outra vida, os que não cumprem a lei do amor.
  Não vos esqueçais, que o amor nos aproxima de Deus, e o ódio nos afasta
d´Ele.


     

 







terça-feira, 28 de outubro de 2014

Evangelho Segundo o Espiritismo




AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO

E assim tudo o que  quereis que os homens vos façam, fazei-o  também vós a eles.
Porque esta é a lei e os profetas.  (Mateus, VII: 12).

Tratai todos os homens, como quereríeis que eles vos tratassem.  (Lucas, VI: 31).

O Reino de Deus é comparado a um rei que quis fazer contas com os seus servos.
E tendo começado a fazer as contas, apresentou-se-lhe um que lhe devia dez mil talentos. E como não tivesse com que pagar, mandou o seu senhor que o
vendessem a ele, e sua mulher e a seus filhos, e tudo o que tinha, para ficar pago
da dívida. Porém o tal servo lançando-se-lhe aos pés, fazia-lhe esta súplica:
Tem paciência comigo, que eu te pagarei tudo
Então o Senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre, e perdoou-lhe a dívida. 
E tendo saído este servo, encontrou um de seus companheiros, que lhe devia cem dinheiros. E lançando-lhe a mão à garganta o asfixiava, dizendo-lhe: Paga-me o que deves. E o companheiro lançando-se-lhe aos pés, rogava dizendo: Tem paciência comigo, que eu te pagarei tudo. Porém, ele não atendeu; retirou-se, e fez que o metessem na cadeia, até pagar a dívida. Porém, os outros servos, seus companheiros, vendo o que se passava, sentiram-no fortemente, e foram dar parte a seu senhor, de tudo o que tinha acontecido. Então  o chamou seu senhor, e lhe disse: Servo mau  eu te perdoei a dívida toda porque me vieste rogar isso: não devias tu logo, compadecer-te igualmente do teu companheiro, assim como também eu me compadeci de ti? E cheio de cólera, mandou seu senhor que o entregassem aos algozes, até pagar toda a dívida. Assim também, vos tratará meu Pai Celestial, se não perdoardes, do íntimo de vossos corações, aquilo que vos tenha feito vosso irmão, (Mateus, XVIII: 23-35).


"Amar ao próximo como a si mesmo, fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem", Eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo.
Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros o que se deseja para si mesmo. Com que direito, exigiríamos de nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgência, benevolência e devotamento do que lhe damos? A prática dessa máxima, leva à destruição do egoísmo. Quando os homens as tomarem como normas de conduta e como base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade, e farão reinar a paz e a justiça entre eles. Não haverá mais ódios, nem dissensões, mas união, concórdia, e mútua benevolência.


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS 


A LEI DO AMOR


  O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os extintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos. E o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo; mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.
 A lei do amor, substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais.
  Feliz daquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor, os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo.! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina ----- amor---- fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
 O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atento porque essa palavra, levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação vencendo a morte, revela ao homem deslumbrado o seu património intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.
   Disse que o homem no início, tem apenas instintos. Aquele, pois, em que os instintos dominam, está mais próximo da partida, do que do alvo. Para avançarem em direcção ao alvo, é necessário vencerem os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar a estes, sufocando o germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o progresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados, são os que, libertando-se lentamente de sua crisália, permanecem subjugados pelos instintos. O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho actual. E mais do que os bens terrenos, ele vos conduzirá à gloriosa elevação, Será então que, compreendendo a lei do amor, que une todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes.


  O amor é de essência divina. Desde o mais elevado  até ao mais humilde, todos vós possuís no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É um facto que tendes podido constatar muitas vezes: o homem mais abjecto, o mais vil, o mais criminoso, sempre tem por algum ser ou objecto uma afeição viva e ardente, a prova de todas as vicissitudes, atingindo frequentemente alturas sublimes.
  Disse por um ser, ou objecto qualquer, porque existem, entre vós indivíduos, que dispensam tesouros de amor, que lhes transbordam o coração, aos animais, às plantas, e até mesmo aos objectos materiais. Espécie de misantropo a lamentarem-se da humanidade em geral, resistem à tendência natural da alma, que busca em seu redor afeição e simpatia. Rebaixam a lei do amor, à condição de instinto. Mas façam o que fizerem não conseguirão sufocar o germe vivaz que Deus depositou em seus corações no acto da criação. Esse germe se desenvolve e cresce com  a moralidade e a inteligência, e, embora frequentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras, e que vos ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana.
  Há alguma pessoas a quem repugna a prova da reencarnação, pela ideia de que outros participarão das simpatias afectivas de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afecto torna-vos egoístas. Vosso amor restringe-se a um círculo estreito de parentes ou de amigos, e todos os demais, vos são indiferentes. Pois bem: para praticar a lei do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos. A tarefa é longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer, e a lei do amor é o primeiro e mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que deve um dia matar o egoísmo, sob qualquer aspecto em que se apresente, pois além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: 
« Amai ao vosso próximo como a vós mesmos»; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a humanidade! Nos mundos superiores, é o amor recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam. E o vosso Planeta, destinado a um progresso que se aproxima, para a sua transformação social, verá seus habitantes praticarem essa lei sublime, reflexo da própria Divindade, que habita  no interior de cada um. Os efeitos da lei do amor são o  aperfeiçoamento moral da raça humana, e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste principio: « Não façais aos outros, o que não quereis que os outros vos façam, mas, fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes». Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de mal grado, ao verdadeiro amor.Este é um íman a que ele não poderá resistir, e o seu contacto, vivifica e fecunda os germes dessa virtude que estão latentes em vossos corações.
   A Terra, morada de exílio e de provas, será então purificada, por esse fogo sagrado, e nela se praticarão a caridade, a humildade, a paciência, a abnegação, a resignação o sacrifício, todas essas virtudes filhas do amor. Não vos canseis pois de escutar as palavras de João Evangelista. Sabeis que, quando a doença e a velhice interrompeu o curso de suas pregações, ele repetia apenas estas doces palavras: «Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros!»
  Queridos  irmãos, utilizai como proveito essas lições: a sua prática é difícil, mas dela retira a alma, imenso benefício. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: «Amai-vos», e vereis muito em breve, a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em que as almas dos justos virão  gozar o merecido repouso.



Meus queridos condiscípulos, amai muito para serdes amados! Tão justo é este pensamento, que nele encontrareis tudo quanto consola e acalma as penas de cada dia.
 Ou melhor: fazendo isso, de tal maneira vos elevais acima da matéria, que vos espiritualizareis mesmo antes de despirdes o  vosso corpo terreno. Os estudos espíritas ampliam vossa visão do futuro, e tendes agora uma certeza: a do vosso progresso para Deus, com todas as promessas que conrespondem às aspirações da vossa alma. Deveis também elevar-vos bem alto, para julgar sem as restrições da matéria, e assim não condenar o vosso próximo, antes de haver dirigido o pensamento a Deus.
  Amar, no sentido profundo do termo, é ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros, aquilo que se deseja para si mesmo. É buscar em torno de si a razão íntima de todas as dores que acabrunham o próximo, para dar-lhes alívio. É encarar a grande família humana como a sua própria, porque essa família ireis encontrar um dia em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que a constituem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte para se elevarem o infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos, aquilo que Deus vos deu com liberdade, pois, de vossa parte, serieis muito felizes se vossos irmãos vos dessem aquilo que tendes necessidade. A todos os sofrimentos, dispensai pois uma palavra, ou um pensamento de ajuda e de esperança, para vos fazerdes todo o amor e toda a justiça.
  Crede que estas sábias palavras: « Amai muito, para serdes amados », seguirão o seu curso. Esta máxima é revolucinária, e segue uma rota firme e invariável. Mas vós haveis  progredido, vós que me escutais, sois infinitamente melhores que há cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem repulsa uma infinidade de ideias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitareis também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderem por agora, entrar em vossa cabeça. Hoje, que o movimento espírita avançou bastante, vede com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, contidas nos ditados dos espíritos, são aceites pela metade das pessoas inteligentes. É que essas ideias conrespondem ao que há de divino em vós. É que estais preparados para uma semeadura fecunda: a do último século, que implantou na sociedade as grandes ideias de progresso. E como tudo se encadeia sob as ordem do Altíssimo, todas as lições recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança universal do amor ao próximo. 
  Graças a ela, os Espíritos encarnados, melhor julgando e melhor sentindo, dar-se-ão as mãos, até aos confins do vosso planeta. Todos se reunirão para entender-se e amar-se, destruindo todas as injustiças, todas as causas de desentendimento entre os povos.
  Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto no Livro dos Espíritos,
produzirá o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesse materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: amai muito, para serdes amados!




O EGOÍSMO



   O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral. É ao Espiritismo que cabe a tarefa de fazê-la elevar-se na hierarquia dos mundos. O egoísmo é portanto, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir as suas armas, as suas forças, e a sua coragem. Digo coragem, porque esta é a palavra mais necessária para vencer a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada qual portanto, dedique sua atenção em combatê-lo em si próprio, pois esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias terrenas. Ele é a negação da caridade, e por isso mesmo, o maior obstáculo à felicidade dos homens.
  Jesus vos deu o exemplo da caridade, e Pôncio Pilatos, o do egoísmo. Porque enquanto o Justo vai percorrer as santas estações do seu martírio, Pilatos lava as mãos dizendo: 
Que me importa! Disse mesmo aos judeus: esse homem é justo, porque quereis crucificá-lo? E no entanto deixa que o levem ao suplício.
  É a esse antagonismo da caridade e do egoísmo, à invasão dessa lepra do coração humano, que o Cristianismo deve não ter ainda cumprido toda a sua missão. E é a vós, novos apóstolos da fé que os Espíritos superiores  esclarecem, que cabem a tarefa e o dever, de extirpar esse mal, para dar ao Cristianismo toda a sua força, e limpar o caminho dos obstáculos que lhe entravam a marcha. Expulsai o egoísmo da Terra, para que ela possa elevar-se na escala dos mundos, pois, já é tempo de a humanidade vestir a sua toga viril, e para isso é preciso primeiro expulsá-lo do vosso coração.


Se os homens se amassem reciprocamente, a caridade seria melhor praticada. Mas para isso seria necessário que vos esforçásseis no sentido de livrar o vosso coração dessa couraça que o envolve, a fim de torná-lo mais sensível ao sofrimento do próximo. O Cristo nunca se esquivaria: aqueles que o procuravam, fossem que fossem, não eram repelidos. A mulher adúltera, o criminoso, eram socorridos por Ele, que jamais temeu prejudicar a sua própria reputação. Quando, pois, o tomareis por modelo de todas as vossas acções? Se a caridade reinasse na Terra, o mal não dominaria, mas se apagaria envergonhado; ele se esconderia, porque em toda a parte se sentiria deslocado. Então o mal desapareceria; compenetrai-vos bem disso.
  Começai por dar o exemplo cada um de vós mesmos. Sede caridosos para com todos, indistintamente. Esforçai-vos para não dar atenção aos que vos olham com desdém. Deixai a Deus cuidar de toda a justiça, pois cada dia no seu Reino, Ele separa o joio do trigo.
  O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade, não há tranquilidade na vida social, e digo mais, não há segurança. Com o egoísmo e o orgulho que andam de mãos dadas, essa vida será sempre uma corrida favorável ao mais esperto, uma luta de interesses, em que as mais santas afeições são calcados aos pés, em que nem mesmo os  sagrados laços da família são respeitados.