terça-feira, 28 de outubro de 2014

Evangelho Segundo o Espiritismo




AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO

E assim tudo o que  quereis que os homens vos façam, fazei-o  também vós a eles.
Porque esta é a lei e os profetas.  (Mateus, VII: 12).

Tratai todos os homens, como quereríeis que eles vos tratassem.  (Lucas, VI: 31).

O Reino de Deus é comparado a um rei que quis fazer contas com os seus servos.
E tendo começado a fazer as contas, apresentou-se-lhe um que lhe devia dez mil talentos. E como não tivesse com que pagar, mandou o seu senhor que o
vendessem a ele, e sua mulher e a seus filhos, e tudo o que tinha, para ficar pago
da dívida. Porém o tal servo lançando-se-lhe aos pés, fazia-lhe esta súplica:
Tem paciência comigo, que eu te pagarei tudo
Então o Senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre, e perdoou-lhe a dívida. 
E tendo saído este servo, encontrou um de seus companheiros, que lhe devia cem dinheiros. E lançando-lhe a mão à garganta o asfixiava, dizendo-lhe: Paga-me o que deves. E o companheiro lançando-se-lhe aos pés, rogava dizendo: Tem paciência comigo, que eu te pagarei tudo. Porém, ele não atendeu; retirou-se, e fez que o metessem na cadeia, até pagar a dívida. Porém, os outros servos, seus companheiros, vendo o que se passava, sentiram-no fortemente, e foram dar parte a seu senhor, de tudo o que tinha acontecido. Então  o chamou seu senhor, e lhe disse: Servo mau  eu te perdoei a dívida toda porque me vieste rogar isso: não devias tu logo, compadecer-te igualmente do teu companheiro, assim como também eu me compadeci de ti? E cheio de cólera, mandou seu senhor que o entregassem aos algozes, até pagar toda a dívida. Assim também, vos tratará meu Pai Celestial, se não perdoardes, do íntimo de vossos corações, aquilo que vos tenha feito vosso irmão, (Mateus, XVIII: 23-35).


"Amar ao próximo como a si mesmo, fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem", Eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo.
Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros o que se deseja para si mesmo. Com que direito, exigiríamos de nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgência, benevolência e devotamento do que lhe damos? A prática dessa máxima, leva à destruição do egoísmo. Quando os homens as tomarem como normas de conduta e como base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade, e farão reinar a paz e a justiça entre eles. Não haverá mais ódios, nem dissensões, mas união, concórdia, e mútua benevolência.


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS 


A LEI DO AMOR


  O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os extintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos. E o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo; mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.
 A lei do amor, substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais.
  Feliz daquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor, os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo.! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina ----- amor---- fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
 O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atento porque essa palavra, levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação vencendo a morte, revela ao homem deslumbrado o seu património intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.
   Disse que o homem no início, tem apenas instintos. Aquele, pois, em que os instintos dominam, está mais próximo da partida, do que do alvo. Para avançarem em direcção ao alvo, é necessário vencerem os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar a estes, sufocando o germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o progresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados, são os que, libertando-se lentamente de sua crisália, permanecem subjugados pelos instintos. O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho actual. E mais do que os bens terrenos, ele vos conduzirá à gloriosa elevação, Será então que, compreendendo a lei do amor, que une todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes.


  O amor é de essência divina. Desde o mais elevado  até ao mais humilde, todos vós possuís no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É um facto que tendes podido constatar muitas vezes: o homem mais abjecto, o mais vil, o mais criminoso, sempre tem por algum ser ou objecto uma afeição viva e ardente, a prova de todas as vicissitudes, atingindo frequentemente alturas sublimes.
  Disse por um ser, ou objecto qualquer, porque existem, entre vós indivíduos, que dispensam tesouros de amor, que lhes transbordam o coração, aos animais, às plantas, e até mesmo aos objectos materiais. Espécie de misantropo a lamentarem-se da humanidade em geral, resistem à tendência natural da alma, que busca em seu redor afeição e simpatia. Rebaixam a lei do amor, à condição de instinto. Mas façam o que fizerem não conseguirão sufocar o germe vivaz que Deus depositou em seus corações no acto da criação. Esse germe se desenvolve e cresce com  a moralidade e a inteligência, e, embora frequentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras, e que vos ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana.
  Há alguma pessoas a quem repugna a prova da reencarnação, pela ideia de que outros participarão das simpatias afectivas de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afecto torna-vos egoístas. Vosso amor restringe-se a um círculo estreito de parentes ou de amigos, e todos os demais, vos são indiferentes. Pois bem: para praticar a lei do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos. A tarefa é longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer, e a lei do amor é o primeiro e mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que deve um dia matar o egoísmo, sob qualquer aspecto em que se apresente, pois além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: 
« Amai ao vosso próximo como a vós mesmos»; ora, qual é o limite do próximo? Será a família, a seita, a nação? Não: é toda a humanidade! Nos mundos superiores, é o amor recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam. E o vosso Planeta, destinado a um progresso que se aproxima, para a sua transformação social, verá seus habitantes praticarem essa lei sublime, reflexo da própria Divindade, que habita  no interior de cada um. Os efeitos da lei do amor são o  aperfeiçoamento moral da raça humana, e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste principio: « Não façais aos outros, o que não quereis que os outros vos façam, mas, fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes». Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de mal grado, ao verdadeiro amor.Este é um íman a que ele não poderá resistir, e o seu contacto, vivifica e fecunda os germes dessa virtude que estão latentes em vossos corações.
   A Terra, morada de exílio e de provas, será então purificada, por esse fogo sagrado, e nela se praticarão a caridade, a humildade, a paciência, a abnegação, a resignação o sacrifício, todas essas virtudes filhas do amor. Não vos canseis pois de escutar as palavras de João Evangelista. Sabeis que, quando a doença e a velhice interrompeu o curso de suas pregações, ele repetia apenas estas doces palavras: «Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros!»
  Queridos  irmãos, utilizai como proveito essas lições: a sua prática é difícil, mas dela retira a alma, imenso benefício. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: «Amai-vos», e vereis muito em breve, a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em que as almas dos justos virão  gozar o merecido repouso.



Meus queridos condiscípulos, amai muito para serdes amados! Tão justo é este pensamento, que nele encontrareis tudo quanto consola e acalma as penas de cada dia.
 Ou melhor: fazendo isso, de tal maneira vos elevais acima da matéria, que vos espiritualizareis mesmo antes de despirdes o  vosso corpo terreno. Os estudos espíritas ampliam vossa visão do futuro, e tendes agora uma certeza: a do vosso progresso para Deus, com todas as promessas que conrespondem às aspirações da vossa alma. Deveis também elevar-vos bem alto, para julgar sem as restrições da matéria, e assim não condenar o vosso próximo, antes de haver dirigido o pensamento a Deus.
  Amar, no sentido profundo do termo, é ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros, aquilo que se deseja para si mesmo. É buscar em torno de si a razão íntima de todas as dores que acabrunham o próximo, para dar-lhes alívio. É encarar a grande família humana como a sua própria, porque essa família ireis encontrar um dia em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que a constituem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte para se elevarem o infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos, aquilo que Deus vos deu com liberdade, pois, de vossa parte, serieis muito felizes se vossos irmãos vos dessem aquilo que tendes necessidade. A todos os sofrimentos, dispensai pois uma palavra, ou um pensamento de ajuda e de esperança, para vos fazerdes todo o amor e toda a justiça.
  Crede que estas sábias palavras: « Amai muito, para serdes amados », seguirão o seu curso. Esta máxima é revolucinária, e segue uma rota firme e invariável. Mas vós haveis  progredido, vós que me escutais, sois infinitamente melhores que há cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem repulsa uma infinidade de ideias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitareis também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderem por agora, entrar em vossa cabeça. Hoje, que o movimento espírita avançou bastante, vede com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, contidas nos ditados dos espíritos, são aceites pela metade das pessoas inteligentes. É que essas ideias conrespondem ao que há de divino em vós. É que estais preparados para uma semeadura fecunda: a do último século, que implantou na sociedade as grandes ideias de progresso. E como tudo se encadeia sob as ordem do Altíssimo, todas as lições recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança universal do amor ao próximo. 
  Graças a ela, os Espíritos encarnados, melhor julgando e melhor sentindo, dar-se-ão as mãos, até aos confins do vosso planeta. Todos se reunirão para entender-se e amar-se, destruindo todas as injustiças, todas as causas de desentendimento entre os povos.
  Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto no Livro dos Espíritos,
produzirá o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesse materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: amai muito, para serdes amados!




O EGOÍSMO



   O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral. É ao Espiritismo que cabe a tarefa de fazê-la elevar-se na hierarquia dos mundos. O egoísmo é portanto, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir as suas armas, as suas forças, e a sua coragem. Digo coragem, porque esta é a palavra mais necessária para vencer a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada qual portanto, dedique sua atenção em combatê-lo em si próprio, pois esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias terrenas. Ele é a negação da caridade, e por isso mesmo, o maior obstáculo à felicidade dos homens.
  Jesus vos deu o exemplo da caridade, e Pôncio Pilatos, o do egoísmo. Porque enquanto o Justo vai percorrer as santas estações do seu martírio, Pilatos lava as mãos dizendo: 
Que me importa! Disse mesmo aos judeus: esse homem é justo, porque quereis crucificá-lo? E no entanto deixa que o levem ao suplício.
  É a esse antagonismo da caridade e do egoísmo, à invasão dessa lepra do coração humano, que o Cristianismo deve não ter ainda cumprido toda a sua missão. E é a vós, novos apóstolos da fé que os Espíritos superiores  esclarecem, que cabem a tarefa e o dever, de extirpar esse mal, para dar ao Cristianismo toda a sua força, e limpar o caminho dos obstáculos que lhe entravam a marcha. Expulsai o egoísmo da Terra, para que ela possa elevar-se na escala dos mundos, pois, já é tempo de a humanidade vestir a sua toga viril, e para isso é preciso primeiro expulsá-lo do vosso coração.


Se os homens se amassem reciprocamente, a caridade seria melhor praticada. Mas para isso seria necessário que vos esforçásseis no sentido de livrar o vosso coração dessa couraça que o envolve, a fim de torná-lo mais sensível ao sofrimento do próximo. O Cristo nunca se esquivaria: aqueles que o procuravam, fossem que fossem, não eram repelidos. A mulher adúltera, o criminoso, eram socorridos por Ele, que jamais temeu prejudicar a sua própria reputação. Quando, pois, o tomareis por modelo de todas as vossas acções? Se a caridade reinasse na Terra, o mal não dominaria, mas se apagaria envergonhado; ele se esconderia, porque em toda a parte se sentiria deslocado. Então o mal desapareceria; compenetrai-vos bem disso.
  Começai por dar o exemplo cada um de vós mesmos. Sede caridosos para com todos, indistintamente. Esforçai-vos para não dar atenção aos que vos olham com desdém. Deixai a Deus cuidar de toda a justiça, pois cada dia no seu Reino, Ele separa o joio do trigo.
  O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade, não há tranquilidade na vida social, e digo mais, não há segurança. Com o egoísmo e o orgulho que andam de mãos dadas, essa vida será sempre uma corrida favorável ao mais esperto, uma luta de interesses, em que as mais santas afeições são calcados aos pés, em que nem mesmo os  sagrados laços da família são respeitados.
  





segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Evangelho Segundo o Espiritismo



BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO




O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO


   Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus                   (Mateus, V: 3) 

    A incredulidade diverte-se com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.
   Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas, como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida de inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.
  Se não admitem o mundo invisível, e um poder extra-humano, não é porque isso esteja fora de seu alcance, mas porque o seu orgulho se revolta à ideia de alguma coisa, a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer de seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível, e tangível. atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito,os que as levam a sério.
  Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse mundo invisível que tanto ironizam. Então seus olhos se abrirão, e reconhecerão o erro. Mas Deus que é justo, não pode receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente se submeteu às suas leis, nem aquinhoá-los por igual.
   Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples, Jesus afirma que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que dele nos afastam. E isso por uma razão muito natural, pois a humildade é uma atitude de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito, no sentido mundano, e rico de qualidades morais.


QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO


     Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus  discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Na verdade vos digo que, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. ( Mateus, XVIII: 1-5).


   E aconteceu que,  entrando Jesus num sábado em casa de um dos principais fariseus, a tomar a sua refeição,, ainda eles o estavam ali observando. e notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa mais autorizada que, a ti, e a ele te diga: dá o teu lugar a este; e tu envergonhado, vás buscar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que quando vier o que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima. Servir-te-á isto então de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que exalta será humilhado; e todo o que se humilha, será exaltado. 
  ( Lucas, XIV: 1,7-11).

   Estas máximas são consequência do princípio de humildade, que Jesus põe incessantemente, como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor, nas seguintes palavras:
« Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.». Ele toma um menino como exemplo da simplicidade de coração, e diz: «Todo aquele pois, que se fizer pequeno como este menino, será o maior no Reino dos Céus.»; ou seja, aquele que não tiver pretensões à superioridade ou à infalibilidade.
 O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra  máxima: « Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva», e ainda nesta: « Porque quem se exalta será humilhado,  e quem se humilha, será exaltado.»
 O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que frequentemente são bem pequenos, os que foram grandes e poderosos. É que os  primeiros levaram consigo ao morrer aquilo que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram  de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra e que não se pode levar; a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não tendo nada mais, chegam ao outro mundo desprovidos de tudo como náufragos, que tudo perderam, até as roupas. Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante  a sua nova posição, porque vêm acima deles e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.
    O Espiritismo mostra-nos outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que mais se elevaram numa existência, são abaixados até ao ultimo lugar, numa existência seguinte, se se deixaram dominar pelo orgulho e ambição. Não, procureis pois, o primeiro lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigados a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar mais elevado no céu, se o merecerdes.


MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E PRUDENTES

  
       Naquele tempo, respondendo disse jesus: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos.
 ( Mateus, XI: 25).

      Pode parecer estranho que Jesus renda graças a Deus, por haver revelado essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, ocultando-as aos sábios e prudentes, mais aptos aparentemente a compreendê-las. É que precisamos entender pelos primeiros os humildes, os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores aos outros; e, pelos segundos, os orgulhosos, envaidecidos com o seu saber mundano, que se julgam prudentes pois que eles negam a Deus, tratando-O de igual para igual, quando não o rejeitam.. Isso porque na antiguidade sábio era sinónimo de sabichão. Assim, Deus lhe deixa a busca dos segredos da Terra, e revela os do céu, aos humildes, que se inclinam perante Ele. 
   O mesmo acontece hoje, com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo. Certos incrédulos se admiram, de que os Espíritos se esforcem tão pouco para os convencer. É que eles se ocupam dos que buscam a luz com boa-fé  e  humildade, de preferência aos que julgam possuir toda a luz e parecem pensar que Deus deveria ficar muito feliz de os conduzir a Ele, provando-lhes a sua existência.
   O poder de Deus revela-se nas pequenas como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda a parte; cegos são os que não vêem. Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles gostam de os ter fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhe fere o orgulho. Para vencer a incredulidade, Ele emprega os meios que lhes convém, segundo os indivíduos. Não é a incredulidade que lhes há-de prescrever o que deve fazer, ou lhe vai dizer: Se quiserdes me convencer, é necessário que faças isto, ou aquilo, neste momento, e não naquele. porque este é que me convém.
   Não se admirem, pois, os incrédulos, se Deus e os Espíritos, que são os agentes da sua vontade, não se submetem às suas exigências. Perguntem o que diriam se o ultimo dos seus servos lhes quisessem fazer imposições. Deus impõe condições, não se submete a elas. Ouve com bondade os que o procuram humildemente, e não os que se julgam mais do que Ele.

   Deus, dir-se-á, não poderia tocá-los  pessoalmente por meio de prodígios evidentes, perante os quais o mais duro incrédulo teria de curvar-se? Sem dúvida que o poderia, mas, nesse caso, onde estaria o seu mérito; e ademais do que serviria isso? Não os vemos diariamente recusar a evidência e até mesmo dizer: ainda que o visse, não acreditaria, pois sei que é impossível. Se eles se recusam a reconhecer a verdade, é porque o seu Espírito ainda não está maduro para a compreender, nem o seu coração para o sentir. O orgulho é a venda que lhes tapa os olhos. Que adianta apresentar a luz a um cego? Seria preciso, pois, curar primeiro a causa do mal; eis porque, como hábil médico. Ele castiga  primeiramente o orgulho. Não abandona os filhos perdidos,  pois sabe que, cedo  ou tarde, seus olhos se abrirão; mas quer que o façam de vontade própria. E então vencidos pelos tormentos da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmos em seus braços e como o filho pródigo lhe pedirão perdão.



INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS


  Homens, por que lamentais as calamidades que vós mesmos amontoastes sobre a vossa cabeça? Desprezastes a santa e divina moral do Cristo: não vos admireis que a taça da iniquidade tenha transbordado por toda a parte.
 O mal-estar torna-se geral. a quem se deve, se não a vós mesmos, que incessantemente procurais aniquilar-vos uns aos outros? Não poderíeis ser felizes, sem mútua benevolência, e como poderá existir juntamente com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males. dedicai-vos pois, à tarefa de destrui-lo, se não quiserdes perpetuar as suas funestas consequências. Um só meio tendes para isso, mas infalível: tomai a lei do Cristo por regra invariável de vossa conduta, essa lei que haveis rejeitado ou falseado na sua interpretação.
 Porque tendes em tão grande estima o que encanta e brilha a vossos olhos, em lugar do que vos toca o coração? Porque o vício que se desenvolve na opulência é o objeto da vossa reverência, enquanto só tendes um olhar de desdém, para o verdadeiro mérito, que se oculta na obscuridade? Que um rico libertino, perdido de corpo e alma se apresente em qualquer lugar, e todas as portas lhe são abertas, todas as honras lhe são dispensadas, enquanto dificilmente se concede um gesto de proteção ao homem de bem que vive só do seu trabalho. Quando a consideração que se dispensa às pessoas é medida pelo peso do ouro que elas possuem, ou pelo nome que trazem, que interesse podem ter elas em se corrigirem de seus defeitos?
  Bem diferente seria, entretanto, se o vício dourado fosse fustigado pela opinião pública, como o é o vício andrajoso. Mas o orgulho é indulgente para tudo quanto o agrada. Séculos de concupisciência e de dinheiro dizeis vós. Sem dúvida; mas porque deixastes as necessidades materiais se sobreporem ao bom-senso e à razão? Porque cada qual deseja se elevar sobre seu irmão? Agora, a sociedade sofre as consequências.
 Não esqueçais que um tal estado de coisas é sempre um sinal da decadência moral. Quando o orgulho atinge o seu extremo, é indício de uma próxima queda, pois Deus pune sempre os soberbos. Se às vezes os deixa subir, é para lhes dar o tempo de reflectir e emendar-se, sob os golpes que,  de tempos a tempos desfere no seu orgulho como advertência. Entretanto, em vez de se humilharem, eles revoltam-se. Então quando a medida está cheia, Ele a vira de repente, e a queda é tanto mais terrível, quanto mais alto tiverem se elevado.
 Pobre raça humana, cujos caminhos foram todos corrompidos pelo egoísmo, reanimai-vos, apesar disso! Na sua infinita misericórdia, Deus envia um poderoso remédio aos teus males, um socorro inesperado à tua aflição. Abre os olhos à luz: eis que as almas dos que se foram estão de volta, para te recordarem os verdadeiros deveres. Elas te dirão com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas, da vossa  passageira existência são pequeninas, diante da eternidade. Dirão que, nesta, será maior o que foi menor entre os  pequenos deste mundo; que o que mais amou os seus irmãos será o mais amado no Céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da autoridade, serão obrigado a obedecer aos seu servos; que a caridade e a humildade, enfim, essas duas irmãs que se dão as mãos, são os títulos mais eficazes para obter-se a graça do Eterno.


MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE NA TERRA


      Não vos orgulheis por aquilo que sabeis, porque esse saber tem limites bem estreitos, no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais uma das sumidades  deste globo, não tendes nenhuma razão para vos envaidecer. Se Deus, nos seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, foi por querer que a usásseis em benefício de todos. Porque é uma missão que Ele vos dá, pondo em vossas mãos o instrumento com o qual podeis desenvolver, ao vosso redor, as inteligências retardatárias e conduzi-las a Deus. A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer? A enxada que o jardineiro põe nas mãos do seu ajudante não indica que ele deve cavar? E o que direis se o trabalhador, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu senhor? Direis que isso é horroroso, e que ele deve ser expulso. Pois bem, não se passa o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir entre os seus irmãos, a ideia da Providência? Não ergue contra o seu senhor a enxada que lhe foi dada para preparar o terreno? Terá ele direito ao salário prometido, ou merece, pelo contrário, ser expulso do jardim? Pois o será, não o duvideis, e arrastará existências miseráveis e cheias de humilhação, até que se curve diante           
d´Aquele a quem tudo deve.
  A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada. Se todos os homens  bem dotados se servissem dela segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a humanidade. Muitos infelizmente a transformam em instrumentos de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa de sua inteligência, como de todas as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-o de que uma poderosa mão, pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu.  




domingo, 5 de outubro de 2014

Mensagens Evangélicas






Consiliação


"Concilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justiça e te encerrem na prisão." ---------- Jesus.     ( Mateus,  5:25)


  Muitas almas enobrecidas, após receberem a exortação desta passagem, sofrem intimamente por esbarrarem com a dureza do adversário de ontem, inacessível  a qualquer conciliação.
  

  A advertência do Mestre, no entanto, é fundamentalmente consoladora para a consciência individual.
    
Assevera a palavra do Senhor ----------"concilia-te", o que equivale a dizer  "faz de tua parte". 
    
Corrige quanto for possível, relativamente aos erros do passado, movimenta-te no sentido de revelar a boa vontade, perseverante. Insiste na bondade e na compreensão.
   
Se o adversário é ignorante, medita na época em que também desconhecias as obrigações primordiais e observa se não agiste com piores características; se é perverso,categoriza-o à conta de doente e dementado em vias de cura.
    
Faz o bem que puderes, enquanto palmilhas os mesmos caminhos, porque se for o inimigo tão implacável que te busque entregar ao Juiz, de qualquer modo, terás então igualmente provas e testemunhos a apresentar. Um julgamento legítimo inclui todas as peças e somente os espíritos francamente impenetráveis ao bem,  sofrerão o rigor da extrema justiça. Trabalha, pois, quanto seja possível no capítulo da harmonização, mas se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.

         Livro,  Pão Nosso, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emanuel  




Quando há luz


"O Amor do Cristo nos constrange."---- Paulo ( II Coríntios,5: 14.)



Quando Jesus encontra santuário no coração de um homem, modifica-se-lhe a marcha inteiramente.
Não há mais dentro dele para a adoração  improdutiva, para a crença sem obras, para a fé inoperante. 
Algo de indefinível na terrestre linguagem transtorna-lhe o espírito.
Categoriza-o a massa comum por desajustado,entretanto, o aprendiz do Evangelho,chegando a essa condição, sabe que o Trabalhador Divino como que lhe ocupa as profundidades do ser.

 Renova-se-lhe toda a conceituação da existência. O que ontem era prazer,hoje é ídolo quebrado.
O que representava meta a atingir, é roteiro errado que ele deixa ao abandono.
Torna-se criatura fácil de contentar, mas muito difícil de agradar.

 A voz do Mestre, persuasiva e doce, exorta-o a servir sem descanso.
Converte-se-lhe a alma num santuário maravilhoso, onde os padecimentos vão ter, buscando arrimo, e por isso sofre a constante pressão das dores alheias. 

 A própria vida física, afigura-se-lhe um madeiro, em que o Mestre se aflige. É-lhe o corpo a cruz viva em que o Senhor se agita crucificado.

 O único refúgio em que repousa é o trabalho perseverante no bem geral.

 Insatisfeito, embora resignado; firme na fé, não obstante angustiado; servindo a todos, mas sozinho em si mesmo, segue, estrada a fora,impelido por ocultos e indescritíveis aguilhões.....
  
Esse é o tipo de aprendiz que o  amor do Cristo constrange, na feliz expressão de Paulo.Vergasta-o 
a luz celeste por dentro até que abandone as zonas inferiores em definivo.
  
Para o mundo, será inadaptado e louco.
  
Para Jesus é o vaso das bênçãos

 A flor é uma linda promessa, onde se encontre.
O fruto maduro porém, é alimento para Hoje.

 Felizes daqueles que espalham a esperança, mas bem-aventurados sejam os seguidores do Cristo, que usam e padecem, dia a dia, para que seus irmãos se reconfortem e se alimentem no Senhor! 


Livro, Fonte Viva, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emanuel



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Desculpa sempre

"Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará." ----- Jesus.  ( Mateus, 6:14.)


 Por mais graves te pareçam as faltas do próximo, não te detenhas na reprovação. 
Condenar é cristalizar as trevas, opondo barreiras ao serviço da luz.

 Procura nas vítimas da maldade algum bem com que possas soerguê-las, assim como a vida opera o milagre de reverdecimento nas árvores aparentemente mortas.
 Antes de tudo, lembra quão  difícil é julgar as decisões de criaturas em experiência que divergem da nossa! 
 Como reflectir, apropriando-nos da consciência alheia, e como sentir a realidade, usando um coração que não nos pertence?
 Se o mundo, hoje, grita alarmado, em derredor de teus passos, faz silêncio e espera.....
 A observação justa é impraticável quando  a neblina nos cerca.
   
Amanhã, quando o equilíbrio for restaurado, conseguirás suficiente clareza para que a sombra te não altere o entendimento.
 Além disso, nos problemas de crítica, não te suponhas isento dela.
  
Através da nociva complacência para contigo mesmo, não percebes quantas vezes te mostras menos simpático aos semelhantes!
 Se há quem nos ame as qualidades louváveis, há quem nos desataque as cicatrizes e os defeitos.
  
Se há quem ajude, exaltando-nos o porvir luminosos, há quem nos perturbe, constrangendo-nos à revisão do passado escuro.
    
Usa, pois, a bondade, e desculpa incessantemente.
  
 Ensina-nos a Boa Nova, que o Amor cobre a multidão dos pecados.
  
Quem perdoa, esquecendo o mal e avivando o bem, recebe do Pai Celestial, na simpatia e na cooperação do próximo, o alvará da libertação de si mesmo, habilitando-se a sublimes renovações.

Livvo, Fonte Viva, de Francisco  Cândido Xavier, pelo Espírito Emanuel





               

sábado, 4 de outubro de 2014

Mensagens evangélicas




ONDAS INFLEXAS



  
   As ondas que arremessamos para fora de nós têm poderes extraordinários na folha da nossa vida. São forças vivas que nascem em nós, e que podemos pelos sentimentos, apropriá-las como sementes que nascem e frutificam por onde têm a capacidade de passar. Essas ondas são elásticas,tanto distanciando da nossa personalidade, como a nós voltando com as suas congéneres, oferecendo-nos, por lei de justiça, as suas iguais. Compreende-se daí que a vida, em todas as instâncias, é o resultado de trocas, com ofertas compatíveis entre si. As ondas inflexas são resultado de lei; elas fazem curvas, indo e voltando pela lei de atracão, e se sentem mais acomodadas onde foram geradas, assim como o filho sente mais prazer junto à mãe, que lhe deu condições de nascer.
  
    Os horizontes da vida são extensos em todas as direcções, e nos mostram a própria  vida na sua grandeza; ao entrarmos neles, sentiremos outras modalidades de vida. Para sermos felizes haveremos  de nos educar nas ondas da disciplina, que é rigorosa em todas as modalidades de vida, e que requer de nós educação dos impulsos. Se nos dispomos a ser úteis aos nossos companheiros em caminho, passemos a nos educar em todos os sentidos, porque a disciplina nos mostra as modalidades mais acertadas de amar.
  
   Os pensamentos são ondas que partem da mente para dentro e para fora da personalidade, levando consigo o que o coração se dispõe a doar, o que o pensador tem a ofertar. Podemos enganar por algum tempo, nossos irmãos encarnados, mas nunca a Deus. A pessoa se  revela pela emissão de seus pensamentos; a própria psicologia nos ensina a compreender logo com quem conversamos. Uma observação mais profunda de quem ouvimos e entenderemos com quem falamos, porque seus gestos e sua fala o denunciam Se o raciocínio é pesquisador nas nossas comparações, ainda temos a intuição, que não deixa faltar a sua cooperação nesse trabalho.
  
  As ondas que saem de nós, não têm somente uma forma;elas são mutáveis, de acordo com os sentimentos. Não mudamos sempre de ideias? Cada uma vibra em faixa diferente, dando~se forma irradiação e mesmo cheiro desiguais. A Doutrina dos Espíritos mostra, na actualidade, outra feição de vida, e a sua missão mais profunda é a de mudar, é a de fazer do homem velho um homem novo, refundindo suas qualidades nas do Cristo de Deus. As mudanças de vida compõem a base; a velha casa mental deve ser destruída e, em seu lugar devemos erigir uma nova, com outras perspectivas de crescer para Deus, na crista da onda nova. o progresso e a ordem nos fazem libertar da escravidão da ignorância.
  
  Podemos mudar de pensamentos, palavras e gestos em segundos, dependendo do que vemos ouvimos ou lemos, e as vibrações passam a obedecer seus impulsos internos. O mundo se encontra como está, mais por falta de moral do que mesmo de alimento; por faltar mais educação dos sentimentos que a água que dessedenta; por faltar mais disciplina do que mesmo o emprego; por faltar mais fraternidade e mais amor do que mesmo moradia com todos os requintes de conforto.

   Não existe harmonia nas mentes e é por isso que o sofrimento campeia entre todas as criaturas, e a dor não vai deixar a humanidade por enquanto a não ser que essa se eduque dentro dos moldes do amor. Quanto mais se abrem laboratórios para fabricar remédios, mais se assanham as doenças, para disciplinar os próprios fabricantes dessas drogas, e os que se encontram nos níveis da usura, do orgulho, e do egoísmo. A dor somente cessará quando não houver mais necessidade da sua lição. 

   Urge compreender o Evangelho da natureza que está com suas páginas abertas, mostrando as leis que falam em silêncio, para que as almas cresçam e sejam motivo de felicidade com o Cristo nos corações.
  Não deixemos escapar ondas da mente que não sejam de amor, de paz, e de educação, de fraternidade e de caridade, de sorte que as sementes semeadas possam nos trazer frutos de esperança.

Livro, Horizontes da Vida, de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez   

Evangelho Segundo o Espiritismo






HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI







    Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos o lugar. E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez, e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde eu estiver, estejais vós também. ( João, XIV: 1-3).


DIFERENTES  ESTADOS  DA ALMA NA ERRATICIDADE



       A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento
       Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz ou infeliz dos Espíritos na erraticidade. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atracções materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os felizes gozam de uma resplandecente e do sublime espectáculo do infinito. Enquanto, enfim, o malvado,cheio de remorsos e pesares, frequentemente só, sem consolações, separado dos objectos da sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que ama,goza de uma indizível felicidade. Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas.


DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS



      Do ensinamento dado pelos Espíritos, resulta que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade de seus habitantes.
Dentre eles há os que são ainda inferiores à Terra, física, e moralmente. Outros estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos, superiores, em todos os sentidos.Nos mundos inferiores, a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos mundos mais avançados a vida é por assim dizer toda espiritual.


    Nos mundos intermediários o bem e o  mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrem. embora não possamos fazer uma classificação absoluta dos diversos mundos, podemos, pelo menos, considerando o seu estado e o seu destino, com base nos seus aspectos mais destacados, dividi-los assim, de um moo geral:  mundos primitivos, onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e de provas em que o mal predomina; mundos regeneradores, em que as almas que ainda têm de expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem supera o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela o homem está exposto a tantas misérias

  Os Espíritos encarnados num mundo, não estão ligados a ele indefinidamente, e não passam nesse mundo por todas as faces do progresso que devem realizar, para chegar à perfeição. Quando atingem o grau de adiantamento necessário, passam para outro mundo mais adiantado, e assim sucessivamente, até chegarem ao estado de Espíritos puros. Os mundos são as estações em que eles encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado ao mal.


DESTINO  DA TERRA E CAUSA DAS MISÉRIAS HUMANAS


   Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda a sorte, concluindo-se  que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita que dá uma falsa ideia do conjunto. É necessário considerar que toda a humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fracção dela. Porque a espécie humana  abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos do que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza da sua população.


   Faríamos uma ideia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num  hospital, só vemos doentes  e estropiados: numa galé vemos todas s torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem. Consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciaria, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque  as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correcção os que não praticaram crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correcção, são lugares de delícias.
  Ora, da mesma maneira que, numa cidade, nem toda a população se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. e como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.

MUNDOS SUPERIORES E INFERIORES

   A  classificação de mundos inferiores e mundos superiores é antes relativa do que absoluta, pois um mundo é inferior ou superior em relação aos que se acham abaixo ou acima dele, na escala progressiva.
    Tomando a Terra como ponto de comparação, pode fazer-se uma ideia do estado de um mundo inferior, supondo os seus habitantes no grau evolutivo dos povos selvagens e das nações bárbaras que ainda se encontram em nosso planeta, como restos do seu estado primitivo. nos mundos mais atrasados, os homens são de certo modo rudimentares. Possuem a forma humana, mas sem nenhuma beleza; seus instintos não são temperados por nenhum sentimento de delicadeza ou benevolência,  nem pelas noções do justo e do injusto; a força bruta, é sua única lei. Sem indústrias sem invenções, dedicam sua vida à conquista dos alimentos. Não obstante, Deus não abandona nenhuma das suas criaturas. No fundo tenebroso dessas inteligências encontra-se latente a vaga intuição de um Ser Supremo, mais ou menos desenvolvida. Esse instinto é suficiente para que uns se tornem superiores aos outros, preparando-se para a eclosão de uma vida mais plena. Porque eles não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem.
  Entre esses graus inferiores e mais elevados, há inumeráveis degraus, entre os espíritos puros, desmaterializados e resplandescentes de  glória, é difícil reconhecer os que animaram os seres primitivos, da mesma maneira que, no homem adulto é difícil  reconhecer o antigo embrião.

  Nos mundos que atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral e material são muito diferentes das que encontramos na Terra. A forma dos corpos é sempre, como por toda a parte, a humana, mas embelezada, aperfeiçoada, e sobretudo purificada. O corpo nada tem de materialidade terrena, e não está, por isso mesmo, sujeito às necessidades, às doenças e ás deteriorações decorrentes do predomínio da matéria. Os sentidos, mais subtis, têm percepções que a grosseria dos nossos órgãos sufoca. A leveza  específica dos corpos torna a locomoção rápida e fácil. em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, eles deslizam, por assim dizer, pela superfície ou pelo ar, pelo esforço apenas da vontade, à maneira das representações de anjos ou dos mares dos antigos nos Campos Elísios. Os homens conservam à vontade os traços das suas existências passadas, e aparecem aos amigos em suas formas conhecidas, mas iluminadas por uma luz divina, transfigurada pelas impressões interiores, que são sempre elevadas, Em vez de rostos pálidos arruinados pelos sofrimentos e as paixões, a inteligência e a vida esplendem, com esse brilho que os pintores traduziram pela auréola dos santos. A pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos já bastante adiantados, facilita o desenvolvimento os corpos e abrevia e quase anula o período de infância. A vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa do que a da Terra. Em princípio a longevidade é proporcional ao grau de adiantamento dos mundos. A morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e longe de ser  motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz, pois não existem dúvidas quanto ao futuro. Durante a vida, não estando a alma encerrada numa matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a deixa num estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.

   Nos mundos felizes, as ralações de povo para povo, sempre amigáveis, jamais são perturbadas pelas ambições de dominações e pelas guerras que lhe são consequentes. Não existem senhores nem escravos, nem privilegiados de nascimento. Só a superioridade moral e intelectual determina as diferentes condições e confere a supremacia. A autoridade é sempre respeitada porque decorre unicamente do mérito, e se exerce sempre com justiça. O homem não procura elevar-se sobre o seu semelhante, mas sobre si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objectivo é atingir a classe dos espíritos puros,  esse desejo incessante não constitui um tormento, mas uma nobre ambição, que o fez estudar com ardor para os igualar. Todos  os sentimentos ternos e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados. O ódio, as mesquinharias do ciúme, as baixas cobiças da inveja, são ali desconhecidos. Um sentimento de amor  fraternidade une a todos os homens, e os mais fortes, ajudam os  mais fracos. Suas posses são correspondenes às possibilidades de aquisição de suas inteligências, mas ninguém sofre a falta do necessário, porque ninguém ali se encontra em expiação. Numa palavra, o mal não existe.

No vosso mundo,tendes necessidade do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde. Lá esses contrastes não são necessários. A eterna luz, a eterna bondade, a paz eterna da alma, proporcionam uma alegria eterna, que nem as angústias da vida material, nem os contactos dos maus, que ali não têm acesso, poderiam  perturbar. Eis o que o Espírito humano só difilmente compreende. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas jamais pode representar as alegrias do céu. E isso porquê? Porque sendo inferior, só tem expirimentado penas e misérias, e não pode entrever as claridades celeste. Ele não pode falar daquilo que não conhece. Mas,à medida que se eleva  e se purifica, o seu horizonte se alarga e ele compreende o bem que está à sua frente, como compreendeu o mal que deixa para trás.

  Esses mundos afortunados, entretanto, não são mundos privilegiados. Porque Deus não usa de parcialidade para nenhum dos seus filhos. A todos concede os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem até lá. Fez que todos partissem do mesmo ponto, e não dota a uns mais do que a outros. Os primeiros lugares são acessíveis a todos: cabe-lhes conquistá-los pelo trabalho, atingi-los o mais cedo possível, ou abandonar-se por séculos e séculos em meio da escória humana. 


PROGRESSÃO DOS MUNDOS


      O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta para o nada.
   Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse seguir um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeram os primeiros átomos da sua constituição, o veria percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas em graus insensíveis para cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que eles também avançam na senda do progresso.
   Assim, marcham paralelamente o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais, e o das  formas de habitação, porque nada fica estacionário na natureza.
    Quanto a esta ideia, é  grandiosa, e digna da majestade do Criador! E como ao contrário, é  pequena e indigna do seu poder aquela que concentra a sua solicitude  e a sua providência no imperceptível grão de areia da Terra, e retinge a humanidade a algumas criaturas que o habitam!
    A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado. Ela chegou a um dos um dos seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará.


EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO,  ALLAN  KARDEC


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Evangelho Segundo o Espiritismo








MEDIUNIDADE COM JESUS



     O estudo do Espiritismo, tem seus pilares nas construções teóricas, originárias do fenómeno 

mediúnico. Visto por muitos como objecto de observação e cogitação científica na busca da certeza da imortalidade e da comunicação dos Espíritos, poucos têm percebido o seu papel ético diante da humanidade. A pergunta nº 625 de « O Livro dos Espiritos», nos alerta para o posicionamento de jesus como modelo e guia de nossas vidas. Assim a mediunidade com o Cristo Jesus, é aquela que, exemplificando os ensinos do Mestre, aprimora a nossa individualidade no sentido da reforma íntima.


    O Espiritismo como doutrina codificada  é recente, datando do lançamento de « O Livro dos Espíritos», por Allan Kardec, em dezoito de Abril, de mil oitocentos e cinquenta e sete; mas o fenómeno mediúnico surge com o pensamento contínuo, nos primórdios da Humanidade.

   
  
   A Bíblia como um roteiro fundamental para a vida, é rica em factos relacionados com a mediunidade. Muitas vezes, os grandes teólogos que estudam o Velho e Novo Testamento, utilizam-se das informações contidas no Deuteronômio 18:9-13 para condenar a prática mediúnica. Esquecem ou ignoram que para proibir algo, isto deve existir e, portanto não pode ser negado; e, de outro modo, o que levou Moisés a proibi-lo foram os interesses mesquinhos e egoístas para os quais eram utilizados.
  
  É importante frisar que a proibição de Moisés não era uma condenação à mediunidade em si mesma. Ao contrário, como grande Médium e Legislador ele conviveu com os  orientadores espirituais do povo hebreu,e reconheceu a importância do fenómeno quando  com objectivo superior, como é relatado em Num, 11;26-29: 

    «Porém no arraial ficaram dois homens: o nome de um era Eldade e o nome do outro Medade; e pousou sobre eles o espírito e profetizavam no arraial. Então correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse: Eldade e Medade, profetizam no arraial. E Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus mancebos escolhidos, respondeu, e disse: Senhor meu, Moisés, proibe-lho. Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhe desse o seu Espírito.»


     Os homens ainda premidos por princípios inferiores, tentam denegrir a importância da mediunidade, temendo o seu papel transformador da Humanidade, pelo contacto com  a verdade da sobrevivência e da comunicabilidade dos Espíritos, independente do nível vibratório de vida.

    
    Para isso, negam factos, cometem distorções proíbem livros, ( como o de Tobias por conter a realidade inegável da intercomunicação das almas); calam vozes, matam corpos,sufocam ideias, mas a verdade sempre sobrevive.
  
   A presença de Jesus é toda um atestado das verdades espirituais. A premonição pelos lábios dos profetas revela a sua vinda, séculos antes. João Baptista, o Percursor, chega à Terra antecedido pela revelação da sua vinda a Zacarias, seu pai. O Arcanjo Gabriel visita Maria e lhe avisa sobre a encarnação do Amor, que ela abrigaria em seu seio. Através do desdobramento médianimico, José é avisado em sonho, do risco que corria Jesus, sendo concitado a levá-lo para o Egipto. 

   João Baptista é o grande profeta da missão do Cristo, e ao baptizá.lo recebe pela vidência e audiência a revelação da verdadeira personalidade do Senhor.
   
    Mas, é no Médium de Deus  que todos estes fenómenos tomam uma tonalidade exuberante, acompanhadas dos  grandes ensinos que lhe direccionam os objectivos . 

     Em Caná o fenómeno materializante da transmutação da água em vinho traduz a importância do seu papel de portador da alegria.
   Na casa de Pedro, a mediunidade curadora, mostra-se instrumento da justiça, levando  a sogra de Simão que servia àquela residência com dedicação, mesmo envolvida pela dor. Em Cafarnaum a cura do paralítico é acompanhada do ensino fundamental da transformação moral como elemento estruturador, mantenedor da saúde.

   Diante de Maria de Magdala, e de Lázaro, o fenómeno mediunico na feição de amor, revive os mais profundos recursos da alma, que retorna da sua catalepsia física e ou moral.
  Nas Sinagogas como instrumento da Verdade, sua palavra profética aturde aos convivas das trevas e entorpece as mentes sedentas de maiores luzes- 
   
    Em cada movimento, em cada realização mediúnica o Rabi faz-se medianeiro sereno e consciente dos mais altos planos, ensinando as leis divinas aos seus irmãos amados.

     E para que pudesse clarear os reais objectivos da mediunidade, sobe ao Tabor com seus auxiliares predilectos. Após a transfiguração é visto por Pedro, Tiago e João dialogando com Elias e Moisés, esses (mortos) queridos que antecederam-no como reveladores divinos, desfazendo a proibição mosaica e dando os reais caracteres do fenómeno. Posteriormente ao martírio da crucificação, retorna materializado ao convívio com diversos discípulos, provando a sobrevivência do Espírito.

   Pentecostes é o novo momento de disseminação da mediunidade.
   
   Às portas de Damasco, materializa-se diante de Saulo, o seu grande perseguidor, convidando-o para um caminho diferente. E Jesus encontra o  divulgador dos seus ensinamentos na figura de Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios que estimula a mediunidade cristianizada na igreja de Corinto, sedimentando o fenómeno através das suas cartas e, em especial, nos escritos da sua Primeira Epístola aos Coríntios, nos capítulos 12 e 14.

CONCLUSÃO


   Ao estudarmos a vida de Jesus, encontramos a mediunidade honrada pelos seus actos, com o ensinamento de que em qualquer relacionamento com este ou outro plano vibracional, esta relação só tem pleno sentido quando, expressando o amor, objectiva o constante renascimento para um « Homem Novo».


Livro Mediunidade com Jesus, Roberto Lúcio V. de Souza , pelo Espírito CARLOS